MPDFT aponta fraude e obtém bloqueio de R$ 78 milhões de empresas de formatura
Ação civil pública revela suposta “indústria de processos” baseada em dívidas fraudulentas; Justiça determina bloqueio de bens para evitar novos prejuízos
A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) obteve êxito em pedido de tutela de urgência que pedia o bloqueio de R$78,4 milhões em bens de empresas do setor de fotografia de formaturas e seus sócios. O pedido foi feito no âmbito da ação civil pública que aponta a existência de um esquema estruturado de fraudes contra consumidores e uso abusivo do sistema judicial.
Segundo a ação, as empresas atuariam como parte de um grupo econômico familiar. As investigações identificaram, ainda, a existência de um modelo de atuação estruturado para gerar cobranças e ajuizar ações em larga escala. As empresas teriam ingressado com mais de 10 mil ações judiciais entre 2018 e 2025, principalmente execuções de título extrajudicial e ações monitórias, que são utilizadas para cobrar dívidas com base em documentos que não têm força de cobrança imediata, transferindo ao consumidor o ônus de contestar o débito.
De acordo com a petição inicial, os débitos cobrados seriam, em muitos casos, baseados em notas promissórias com indícios de irregularidade, sem comprovação adequada da relação contratual. Para o Ministério Público, a prática pode configurar litigância predatória, com prejuízos aos consumidores e impacto no funcionamento do Judiciário.
Abordagem e cobrança
As investigações apontam que consumidores eram abordados com ofertas de serviços fotográficos, algumas vezes com promessa de benefícios gratuitos. Posteriormente, seriam induzidos a assinar documentos sem pleno conhecimento das obrigações, incluindo notas promissórias.
Ainda segundo o MPDFT, há relatos de dificuldade de acesso a contratos, cobrança de valores elevados, obstáculos para cancelamento e ausência de tentativa de solução administrativa antes do ajuizamento das ações.
“Trata-se de um modelo estruturado de atuação que utiliza o sistema de justiça como instrumento de cobrança em massa, com indícios de desvio de finalidade e prejuízo relevante aos consumidores”, afirma o promotor de justiça da 1ª Prodecon, Paulo Binicheski.
A ação também indica que as empresas atuariam de forma coordenada, com compartilhamento de estrutura, endereço e equipe jurídica, o que pode caracterizar grupo econômico de fato. Segundo o MPDFT, essa organização permitiria ampliar a atuação no mercado e dificultar a responsabilização pelos danos causados aos consumidores. “A estrutura identificada indica atuação coordenada entre pessoas físicas e jurídicas, com divisão de funções e estratégias que dificultam a identificação dos responsáveis e a reparação dos prejuízos”, afirma o promotor de justiça Paulo Binicheski.
Ao analisar o pedido de tutela de urgência, a Justiça considerou presentes indícios de irregularidades e o risco de continuidade dos prejuízos. Por isso, determinou o bloqueio de ativos financeiros e veículos dos investigados até o limite de R$ 78.497.286,80.
Processo: 0713671-69.2026.8.07.0001
{JOR}
Mais notícias...
- 20/03/2026 - Serrinha do Paranoá: MPDFT se reúne com sociedade civil e Legislativo
- 20/03/2026 - Ex-médico acusado de matar mãe queimada é condenado a 46 anos
- 20/03/2026 - Candangão: MPDFT integra campanha pelo fim da violência contra a mulher
- 19/03/2026 - MPDFT participa da inauguração da Ouvidoria da Mulher da PCDF
- 19/03/2026 - Andanças: projeto visita escolas da rede pública de Ceilândia
- 19/03/2026 - MPDFT obtém decisão contra casa de apostas e influenciador digital por publicidade abusiva
- 19/03/2026 - Promotor de justiça lança livro sobre crimes contra as finanças públicas
- 19/03/2026 - Nota de pesar pelo falecimento da desembargadora Maria de Lourdes Abreu, do TJDFT
- 18/03/2026 - Curso de "Promotoras Legais Populares” é ofertado com apoio do MPDFT
- 18/03/2026 - Gama: homem é condenado a mais de 17 anos de prisão por ajudar comparsa em homicídio
- 17/03/2026 - No tatame, respeito é regra: MPDFT promove palestra sobre importunação sexual no esporte
- 17/03/2026 - Prodecon instaura inquérito civil público contra TIM por fatura indevida de dados móveis
- 17/03/2026 - Definida lista tríplice para vaga de desembargador do TJDFT
- 17/03/2026 - MPDFT será reconhecido com Prêmio Guardião da Água por sistema de reúso de água da chuva
- 17/03/2026 - MPDFT apresenta resultados da política de medidas alternativas do biênio 2024-2025
- 17/03/2026 - Ouvidoria das Mulheres é destaque em evento pelo Dia da Mulher na PR-DF
- 17/03/2026 - Venda casada: escola não pode impedir alunos de usar plataforma digital
- 16/03/2026 - MPDFT realiza instrução técnica para policiais militares do Bope
- 16/03/2026 - Quando a voz do cidadão vira ação: o papel da Ouvidoria no fortalecimento do MPDFT
- 16/03/2026 - MPDFT amplia cooperação nacional com o compartilhamento de soluções de inteligência artificial
- 16/03/2026 - Heróis NaMoral: exposição chega à Promotoria de Justiça de Planaltina em 19 de março
- 13/03/2026 - Gama: MPDFT denuncia homem que atropelou dono do bar por dívida de bebida
- 13/03/2026 - Projeto Tardes de Reflexão realiza primeiro encontro de 2026 em Brazlândia
- 13/03/2026 - Procurador de justiça Ivaldo Lemos Júnior lança livro em coautoria póstuma
- 13/03/2026 - Atuação do MPDFT é homenageada durante sessão solene da CLDF voltada às mulheres
- 12/03/2026 - MPDFT realiza 2ª etapa do 33º concurso para promotor de justiça adjunto
- 12/03/2026 - Golpes com PIX: MPDFT orienta cidadão a se proteger e mostra como recuperar valores
- 12/03/2026 - Operação Blackboard: MPDFT investiga desvio de mais de R$ 46 milhões da educação
- 11/03/2026 - MPDFT apoia programa “Na Base da Paz” contra violência no futebol de base
- 11/03/2026 - Promotoras do MPDFT recebem Medalha Mulher Mais Segura
Página 219 de 368
