A sustentação da acusação teve início após o final dos interrogatórios, que duraram dois dias. Na sexta-feira, será a vez da defesa dos réus, além da possibilidade de réplica e tréplica. Só depois serão lidos os mais de 400 quesitos para a avaliação dos jurados.

As manifestações foram abertas pelo assistente de acusação, João Darc, e, em seguida, pelos promotores de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que defenderam a condenação dos cinco réus nos termos da denúncia. Somadas, as penas podem variar de 211 a 385 anos, conforme o Código Penal.
Logo no início, o promotor de justiça Nathan da Silva Neto pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas e classificou o caso como um dos mais graves já registrados no Distrito Federal. Para ele, trata-se de um “familicídio” marcado pela extrema violência e pela atuação conjunta dos acusados.
Durante a sustentação, o Ministério Público afirmou que o crime só foi possível pela união dos réus. “O que se tem aqui é um verdadeiro empreendimento criminoso. Se não houvesse a atuação de todos, o resultado não teria sido esse”, destacou o promotor.
Segundo a acusação, as investigações revelaram não apenas os executores, mas toda a dinâmica utilizada para atrair, manter e matar as vítimas, com base em provas consideradas robustas, incluindo laudos periciais.
Ao analisar os interrogatórios, o promotor de justiça apontou contradições entre os réus e a tentativa de afastamento de responsabilidades. “Cada um tenta atribuir a culpa ao outro”, afirmou. A acusação também destacou que, embora alguns tenham demonstrado arrependimento, essa postura não foi uniforme entre os acusados.
Durante a exposição, o promotor de justiça Daniel Bernoulli ressaltou que todos os acusados tiveram seus direitos constitucionais respeitados e que o processo é sustentado por um conjunto consistente de provas. O caso foi tratado como resultado de uma atuação integrada entre instituições, com força-tarefa que envolveu promotorias de justiça de Planaltina e do Paranoá, o Núcleo do Tribunal do Júri e a Polícia Civil do Distrito Federal. Ao final, o Ministério Público reforçou o papel do júri na resposta aos crimes. “O júri é a instância que protege a sociedade”, afirmou o promotor, ao pedir que os jurados acolham integralmente a denúncia.
Último a falar na noite de quinta-feira, o promotor de justiça Marcelo Leite aprofundou os elementos de prova, que são fartos nos autos, e destacou as discrepâncias entre os interrogatórios prestados na delegacia e em plenário.
Em especial, cumprimentou a senhora Antonia, mãe da vítima Marcos, de 93 anos, que acompanha o julgamento. “Dona Antonia, infelizmente, não sabemos onde foi parar o Nelson”, afirmou, em referência ao cachorro de estimação de Marcos, que desapareceu da chácara. A perícia localizou um cachorro queimado no interior de uma churrasqueira, mas não foi possível identificá-lo.
Interrogatórios e andamento do júri
Os interrogatórios dos réus ocorreram na quarta (15) e quinta-feira (16), marcando o terceiro e o quarto dias do julgamento, considerado um dos mais complexos já realizados no Distrito Federal. Durante as oitivas, os réus apresentaram versões distintas. Carlomam dos Santos Nogueira confessou participação nos crimes e afirmou que esteve presente em todos os assassinatos. Horácio Carlos Ferreira Barbosa exerceu o direito de permanecer em silêncio. Os demais acusados optaram por responder aos questionamentos em plenário.
Para os promotores, o momento dos interrogatórios é fundamental para que os jurados confrontem as versões apresentadas pelos réus com o conjunto de provas reunidas ao longo da investigação.
O julgamento teve início na segunda-feira, 13 de abril, com a oitiva de 18 testemunhas, entre policiais, investigadores e pessoas próximas às vítimas. A expectativa é de que o júri seja concluído no final de semana.
Processo: 0700144-92.2023.8.07.0021
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