Além do processo: MPDFT lança projeto "Amparar" para atendimento a vítimas e familiares
Lançada na sexta-feira, 12 de setembro, a ação atende sobreviventes de feminicídio e parentes de crimes como homicídio, feminicídio, latrocínio e mortes no trânsito
É doloroso para as vítimas de crimes e seus familiares a jornada até a justiça, um caminho muitas vezes marcado por dor, luto e desamparo. O trauma emocional se soma às barreiras de um sistema jurídico que, em muitos casos, se mostra distante e difícil de entender. A falta de apoio psicológico e a pouca informação sobre direitos e benefícios podem agravar a sensação de sofrimento e revitimização.
Para mudar essa realidade e oferecer suporte integral, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) lançou o projeto "Amparar". A iniciativa, criada pelo Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav), visa acolher e auxiliar sobreviventes de feminicídio e familiares de vítimas de crimes com resultado de morte, como homicídio, latrocínio e mortes no trânsito.
Acolhimento e suporte humanizado
Coordenado pelas promotoras de justiça Jaqueline Gontijo e Thaís Tarquínio, a iniciativa busca fortalecer o apoio a essas pessoas, garantindo um atendimento mais humano e focado em suas necessidades. Entre os principais objetivos estão o acolhimento humanizado, a escuta qualificada, o apoio psicológico, a redução da revitimização e o acesso à informação. O projeto também atua para fortalecer a confiança no sistema de justiça e promover o diálogo com a rede de apoio psicossocial.
Em evento de lançamento, a promotora de justiça Jaqueline Gontijo destacou a importância de criar um vínculo com as vítimas, permitindo que elas, no seu tempo, possam expressar suas necessidades. Já a promotora Thaís Tarquínio enfatizou que o Amparar busca "modificar a cultura jurídica em relação ao reposicionamento das vítimas, para que elas sejam colocadas no centro do processo penal".
A equipe do projeto foi fortalecida com a incorporação de novos residentes em Direito e Psicologia, uma expansão viabilizada pelo Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre o MPDFT e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), no âmbito do programa "Recomeçar".
Compromisso com a cidadania
A pr
omotora de justiça Ana Tereza Salles Giacomini, do Ministério Público de Minas Gerais, proferiu uma palestra durante o lançamento do projeto, reforçando a importância de um olhar mais humano para as vítimas. Ela destacou que um crime atinge primeiramente as pessoas, e não apenas as leis, e que o Ministério Público precisa ser a voz da vítima, garantindo sua dignidade e minimizando o sofrimento.
O evento também contou com um depoimento emocionante de Érika Tayná Nascimento, sobrinha de uma vítima de feminicídio. Ela relatou as dificuldades enfrentadas pela família para entender o sistema de justiça e a importância de iniciativas como o Amparar. "Não são apenas casos, dados ou processos jurídicos, são seres humanos com uma vida e sonhos. Espero que esse projeto possa impactar outras famílias para que elas não passem pelo que a minha família passou", disse.
Como buscar ajuda
Para solicitar atendimento do Projeto Amparar, basta preencher o formulário online disponível no site do MPDFT. Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99635-6929 ou pelo e-mail
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