Dia em memória das vítimas de trânsito, 7 de maio, reforça a importância do apoio a familiares atendidos pelo Amparar
O telefone tocou na madrugada e, em poucos minutos, a vida de Sibele Miyasaka mudou completamente. “Quando me ligaram, eu não consegui entender. Depois veio a confirmação: minha mãe tinha sido atropelada e não resistiu.” O caso aconteceu em outubro do ano passado, em uma via entre o Riacho Fundo II e o Recanto das Emas. A vítima havia parado no acostamento para trocar o pneu do carro. O local estava sinalizado e o problema já havia sido resolvido quando um veículo invadiu o acostamento e atingiu três pessoas. Ela morreu no local. O motorista fugiu sem prestar socorro.
A história de Sibele evidencia uma realidade que vai além do momento do sinistro. É para acolher famílias como a dela que atua o Projeto Amparar, do Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A iniciativa oferece atendimento humanizado a vítimas de tentativas de feminicídio e a familiares de vítimas de crimes com resultado morte, como homicídios, latrocínios e ocorrências de trânsito.
“Esse projeto me sustentou. A gente não sabe o que fazer, por onde começar, e o Amparar mostra esse caminho. Não é só apoio jurídico, é cuidado emocional também. Foi essencial para eu conseguir continuar”, relata Sibele.
Com equipe multidisciplinar formada por psicólogos e profissionais do direito, o Amparar oferece escuta qualificada, orientação e encaminhamento à rede de serviços, respeitando as necessidades de cada caso. A proposta é garantir que vítimas indiretas não enfrentem sozinhas o processo de luto e reorganização da vida.
Os efeitos para quem fica
Os efeitos de um sinistro de trânsito com resultado morte não se encerram no momento da colisão. Eles se prolongam no cotidiano das famílias, que passam a conviver com a ausência, com mudanças na rotina e, muitas vezes, com insegurança emocional e financeira. Além do luto, há o peso dos trâmites legais, das decisões urgentes e da tentativa de reconstruir a vida diante de uma perda repentina.
Sibele conheceu o Projeto Amparar poucos dias após a morte da mãe, durante atendimento no Instituto Médico Legal (IML). “A gente nem sabia que existia esse tipo de apoio. Fiquei sabendo lá, no meio de tudo aquilo que a gente estava vivendo”, relembra.
A partir desse primeiro contato, ela e familiares passaram a receber acompanhamento psicológico e orientação jurídica, com atendimentos individuais e participação em atividades coletivas. “Foi essencial. A gente chega perdida, sem saber o que fazer, e o Amparar vai mostrando caminhos”, diz.
Segundo ela, o suporte foi decisivo tanto para compreender os trâmites legais quanto para lidar com o luto. “Eles entendem o que a gente está vivendo e ajudam a gente a continuar. Nós realmente fomos amparados.”
Para a promotora de justiça Jaqueline Gontijo, iniciativas como o Amparar são fundamentais diante da dimensão desses impactos. “A perda no trânsito não atinge apenas quem sofreu diretamente o sinistro. Ela repercute em toda a família, que precisa lidar com sofrimento emocional e desafios práticos”, observa.
Maio Amarelo
Nesse contexto, o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Trânsito, instituído pela Lei 15.389/2026 e celebrado em 7 de maio, chama atenção para os impactos dessas ocorrências. Integrada ao Maio Amarelo, a data busca dar visibilidade não apenas às vítimas fatais, mas também às famílias que enfrentam as consequências, reforçando a importância da conscientização e de comportamentos responsáveis no trânsito.
Como buscar atendimento
O Projeto Amparar atende vítimas de tentativa de feminicídio e familiares de vítimas de feminicídio, homicídio, latrocínio, crimes no trânsito com resultado morte e lesão corporal seguida de morte. Para receber o apoio da iniciativa, você deve solicitar atendimento por meio do preenchimento de formulário online.
WhatsApp: (61) 99635-6929
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Endereço: Promotoria de Justiça de Brasília II - MPDFT, SMAS (Setor de Múltiplas Atividades Sul), Trecho 4, Lotes 6/8, Brasília-DF (ao lado do Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes)
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 12h às 19h
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