O Ministério Público do Distrito Federal e Território (MPDFT) manifesta repúdio à charge publicada pela Folha de S.Paulo na edição de 9 de maio de 2026. A ilustração ultrapassa os limites da crítica institucional e do humor para atingir um nível inaceitável de desumanização e insensibilidade.
A associação feita entre a morte trágica da jovem magistrada Mariana Francisco Ferreira, ocorrida após procedimento médico relacionado à fertilização in vitro, e a retórica pejorativa dos chamados “penduricalhos” revela absoluto desprezo pela dor humana, especialmente às vésperas do Dia das Mães.
Não se questiona a liberdade de imprensa ou o direito à crítica, pilares essenciais do Estado Democrático de Direito. Contudo, nenhuma liberdade dispensa responsabilidade, empatia e respeito à dignidade das pessoas.
A publicação causa profunda repulsa pela indiferença diante do sofrimento de uma família enlutada e pela tentativa de transformar uma tragédia pessoal em instrumento de sarcasmo político. A crítica e o humor jamais podem perder de vista que, antes de qualquer função pública, existem pessoas. E quando o humor e a crítica ignoram deliberadamente a dor humana para produzir impacto ou escárnio, deixam de cumprir função legítima para se converter em manifestação de crueldade.
Manifestamos solidariedade à família, aos amigos e aos colegas da magistrada, reafirmando que a liberdade de expressão jamais pode servir de justificativa para a banalização da dor e da morte.
Georges Seigneur
Procurador-geral de Justiça do Distrito Federal e do Territórios
{PGJ}