Vozes que atravessam os muros: internas lançam livro com relatos autobiográficos
Obra reúne relatos escritos por internas da PFDF em oficinas promovidas pelo MPDFT em parceria com o CED 01 e o Núcleo de Ensino da unidade prisional

A iniciativa teve o objetivo de criar um espaço de diálogo, de reflexão e de acolhimento para que as mulheres privadas de liberdade, ao escreverem sobre suas vidas, pudessem olhar para suas trajetórias e ter a oportunidade de reescrever as suas histórias. O projeto também estimulou a ressignificação de experiências de vida, o fortalecimento da autoestima e o resgate dos vínculos familiares e sociais.
Para a coordenadora do Nupri, promotora de justiça Raquel Tiveron, o livro retrata a vida como ela é. “Essa obra é a prova de que somos capazes de reescrever a nossa vida, a nossa história. Essa leitura é um presente. Ela nos tira da frieza do processo, nos apresenta o lado humano das questões com as quais lidamos na nossa profissão”, comentou.
Participaram do lançamento o secretário de Administração Penitenciária, Wenderson Teles; a diretora da Penitenciária Feminina, Kamila Mendonça; a diretora do Centro Educacional 01 de Brasília (CED 01), Telma Almeida; e familiares das internas.
Escrita como processo de reinvenção

As oficinas foram conduzidas pelas professoras Valdiceli Rocha e Márcia Daniela Fernandes. A leitura dos livros “A sapatilha que mudou meu mundo”, de Ingrid Silva, e “Em busca de mim”, de Viola Davis, apoiou a construção de um espaço seguro de expressão, escuta ativa e respeito às histórias de cada participante.
A edição do livro foi organizada pelos servidores do MPDFT Diogo Abe Ribeiro e Camila Oliveira Souza, que atuaram desde a construção da proposta pedagógica até a preparação final da obra para publicação.
Segundo os organizadores, foi possível observar o amadurecimento das participantes durante a construção do livro. “ A nossa expectativa é que ele gere desconforto, empatia e reflexão. Ele não pretende justificar erros nem romantizar o cárcere. Ele existe para complexificar o olhar, para mostrar que existe uma história que quase nunca é contada. Ouvir não significa concordar, mas reconhecer a humanidade”, destacou Diogo.
O projeto foi selecionado no Edital PGJ nº 1/2025, voltado a iniciativas inéditas de inovação institucional.
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{JOR}
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