MPDFT participa de sessão do TJDFT em homenagem ao desembargador Maurício Silva Miranda
Na tarde desta terça-feira, 27 de janeiro, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) abriu espaço para a memória, a gratidão e a saudade ao realizar uma sessão especial em homenagem ao desembargador Maurício Silva Miranda, falecido em 4 de janeiro. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) participou da solenidade, marcada por emoção e reverência à trajetória de um magistrado que deixou marcas profundas nas pessoas com quem conviveu.
Presidida pelo 1º vice-presidente do TJDFT, desembargador Roberval Belinati, a cerimônia reuniu autoridades, colegas e servidores para relembrar a vida profissional e o compromisso ético de Maurício Silva Miranda com a Justiça. Em cada fala, destacou-se não apenas o legado institucional construído ao longo de décadas, mas também o respeito e o reconhecimento por uma atuação pautada pela dedicação ao serviço público e pelo fortalecimento da Justiça do Distrito Federal.
Representando o MPDFT na mesa de honra, a procuradora-geral de Justiça em exercício, Selma Sauerbronn, trouxe à solenidade um depoimento carregado de sensibilidade e afeto. Falou do homem para além do cargo, lembrando a origem simples, o orgulho de ter sido o primeiro filho da família a concluir um curso superior e o apreço pelas coisas singelas da vida. Ao mencionar a canção Tocando Em Frente (composição de Almir Sater e Renato Teixeira), convidou os presentes a uma reflexão silenciosa, transformando a homenagem em um momento de profunda conexão, memória e emoção coletiva.
“A música, assim como o Direito vivido por ele, não precisava de excessos para ser profunda. Bastava ser verdadeira, bastava tocar a alma, como tocaram suas palavras, suas decisões e sua postura ao longo de toda uma vida dedicada ao serviço público, seja como membro do Ministério Público, seja como magistrado”, disse.
Em relação à atuação, Selma Sauerbronn destacou que no MPDFT, Maurício Silva Miranda construiu sua identidade profissional na arena mais sensível e desafiadora do Direito: o Tribunal do Júri e a Promotoria da Defesa da Vida.
“Ali, onde o Direito encontra a dor, a esperança e a complexidade humana em sua forma mais crua, ele atuou com coragem, preparo técnico e absoluto respeito pela dignidade humana. Era um homem que compreendia que a defesa da vida exige mais do que retórica: exige estudo, equilíbrio emocional, firmeza moral e, sobretudo, humanidade. Sabia sustentar suas teses com destemor, mas também tinha a grandeza dos verdadeiros juristas: sabia ganhar e sabia perder, sem jamais deixar de observar o respeito pelas partes, pelos colegas ou pela Justiça”, afirmou.
O procurador-geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Georges Seigneur, impossibilitado de comparecer à solenidade, encaminhou mensagem em homenagem ao desembargador Maurício Silva Miranda, lida pelo desembargador Diaulas Costa Ribeiro. No texto, ressaltou a trajetória marcada pela dedicação incansável ao serviço público, pelo compromisso inabalável com a Justiça e pela conduta íntegra que sempre orientou o exercício de suas funções institucionais, deixando um exemplo que ultrapassa cargos e permanece na memória da instituição.
Georges Seigneur também destacou o histórico de atuação no âmbito do MPDFT, ressaltando a participação de Maurício Silva Miranda em casos de grande relevância para o Judiciário do Distrito Federal. Entre eles, citou julgamentos emblemáticos, como os do assassinato do jornalista Mário Eugênio, do homicídio do jovem João Cláudio, do crime contra a estudante Maria Cláudia Del’Isola, do ataque ao indígena Galdino Jesus dos Santos, do assassinato da estudante Suênia Sousa Faria e o júri mais longo já realizado no DF, relativo ao chamado ‘crime da 113 Sul.
“Quando despediu-se do MPDFT em 2023, nomeado desembargador, sabíamos que o Tribunal de Justiça ganhava um magistrado completo. Alguém que conhecia a dor da vítima, a complexidade da prova e a responsabilidade de julgar. Sua passagem por esta Corte foi breve, dolorosamente breve, mas a intensidade de sua vida pública dispensa a cronologia do tempo. O legado de Maurício Silva Miranda não se mede em anos, mas em vidas defendidas, em alunos inspirados e em Justiça realizada. Em nome do MPDFT, expresso nossa eterna gratidão a este grande brasileiro. Aos familiares, o nosso abraço fraterno. Ao desembargador Maurício, o nosso muito obrigado e o nosso silêncio respeitoso”, finalizou.
A solenidade também contou com os discursos do desembargador Roberval Belinati e do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/DF, Paulo Maurício Siqueira, que registrou a solidariedade da instituição à família, aos amigos, aos membros do Ministério Público e ao Judiciário, e destacou a contribuição do desembargador Maurício à sociedade.
{PGJ}
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