NaMoral: heróis escolhidos homenageiam quem contribui para o bem-estar das escolas
O Dia D NaMoral foi realizado nos Centros Educacionais 4 do Guará e Vargem Bonita nos dias 2 e 5 de setembro. Os estudantes também conheceram sobre o projeto “Um Passo no seu espaço”, apresentado nos eventos pela Promotoria da Ordem Urbanística
Ele veio à Terra por engano, munido de um cinto de utilidades, bastão aumentador, boné e colher de pedreiro: Seu Zé é o herói dos alunos do Centro Educacional Vargem Bonita. Foi escolhido por unanimidade como herói da humildade, valor também definido pelos estudantes como o mais importante dentre as qualidades morais estudadas. Nas horas vagas, José Santana dos Santos é apenas o zelador da escola, mas em todos os outros momentos representa os valores de cerca de 100 alunos do 8º e 9º ano que participam do projeto NaMoral.
Tirar a bola do alto do telhado do ginásio de esportes ou salvar alunos presos numa sala de aula não são páreos para ele, mas o que mais encanta os estudantes é o modo como encara o dia a dia, com muito amor e dedicação. “Sempre trabalho com amor e todos aqui são os meus amores. Respeito da mesma forma, desde os pequenos até os grandes, escuto o que têm a dizer e explico, de forma carinhosa, por que estão errados em alguma situação”, conta Seu Zé, orgulhoso, agora com o reconhecimento que leva pra casa. Para ele, receber o desenho que o representa como herói, feito pela aluna Vitória Galvão, do 9º ano, é como um troféu.
Capoeira, dança e apresentações musicais marcaram o Dia D NaMoral da escola de Vargem Bonita. Momentos de muita emoção, que contagiaram professores e alunos, além das promotoras de Justiça Luciana Asper, coordenadora e idealizadora do NaMoral; e Yara Maciel, da Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), que conversaram com os participantes.
“Há muito tempo esquecemos de investir nas coisas mais importantes, que são as virtudes. Eu achava que ia conseguir ver a corrupção devidamente combatida pelo Sistema de Justiça, mas vimos que enfrentar este problema grave e garantir direitos fundamentais precisa deste talento de professores dedicados como vocês e alunos sedentos por aprender sobre suas virtudes e forças de caráter. A primeira fase do NaMoral é justamente resgatar a identidade do que é mais importante para nós, como seres humanos. No final da vida, o que vai realmente importar é como nos relacionamos com as pessoas””, destacou a promotora Luciana durante a sua apresentação.
Já a promotora de justiça Yara Maciel falou sobre o projeto “Um passo no seu espaço”. Ela explicou aos alunos que, ao cuidarmos dos espaços públicos da cidade, também estamos cuidando dos demais. O projeto trata sobre responsabilidade com os demais e o cuidado com o meio ambiente. “Esses ambientes são verdadeiros laboratórios vivos, onde vocês podem aprender sobre a natureza, arte, interação social, locais onde podem explorar, criar e se conectar com o mundo ao seu redor”.
A professora Glória Braga, responsável pelo projeto NaMoral na escola, afirma que com o trabalho percebeu que nascemos para fazer o bem e a gente só precisa ser lembrado disso todos os dias. Além disso, frisa “que os alunos já têm os valores dentro deles e o projeto traz os instrumentos para que, no dia a dia, lutemos para que esses valores prevaleçam”. O estudante José Andreoli conta que ele e os colegas entenderam que a corrupção começa desde a infância, com atos como furar a fila e roubar balinha. A partir disso, elegeram os três valores principais para combater a corrupção: além da humildade, a responsabilidade e a honestidade.
CEF 4 de Brasília
O Dia D do NaMoral também chegou para o Centro Educacional (CEF) 4 de Brasília, no Guará, nesta semana, no dia 2 de setembro. Os estudantes trabalharam na realização da programação, com várias atividades culturais, e na construção do herói que representa a escola que foi nomeado de Zaky, o herói da inclusão.
Durante o evento, a promotora Yara Maciel também apresentou o projeto “Um passo no seu espaço” para os alunos participantes. Já as promotoras Luciana Ásper e Fernanda Molyna levaram palavras de motivação sobre o papel de cada um na construção de uma escola mais harmônica, de um DF e um país com um futuro melhor para todos.
Criado pela aluna Maria Fernanda, do 6º ano C, o Zaky é um herói sem gênero. O CEF 4 é uma escola inclusiva, e por isso o herói autista representa todos os estudantes. Ele tem uma perna mecânica e o rosto em formato de quebra-cabeça, que é o símbolo do autismo. Seus super poderes reúnem força para proteger os colegas que sofrem com bullying e ele também carrega um livro na sua cauda mágica para mostrar a importância do aprendizado.
CEF 7 de Sobradinho
No dia 31 de agosto, o Centro de Ensino Fundamental de Sobradinho também recebeu o Dia D do NaMoral. O herói escolhido pelos estudantes foi um cachorro ou cadelinha, representando amizade e fidelidade. A escola recebeu a visita dos promotores de Justiça Luciana Ásper, Yara Maciel e Bruno Carvalho, que falaram para cerca de 300 alunos de 6º e 7º anos.
Yara Maciel apresentou a proposta do “Um passo no seu espaço”: o cuidado com o espaço público, inclusive a escola, onde os alunos passam grande parte do tempo. Ela ressaltou ainda o cuidado dos estudantes com eles mesmos, com as demais pessoas, com o meio ambiente e os animais.
Bruno Carvalho contou aos estudantes uma história sobre superação e o desafio de um herói: não desistir apesar das dificuldades e manifestações contrárias. A coordenadora do NaMoral, Luciana Ásper, finalizou falando sobre a preciosidade e potencial para o bem de cada um dos alunos e a importância da integridade e honestidade.
NaMoral
A iniciativa busca disseminar valores relacionados à integridade, ética, cidadania e enfrentamento à corrupção. O projeto-piloto foi implementado em nove escolas públicas em 2019 e desafia os estudantes, a partir de ferramentas de gamificação, a construir um ecossistema de integridade. Nos anos de 2020 e 2021, o projeto foi implementado em sua primeira versão virtual, voltada para estudantes universitários. Em 2022, voltou a ser realizado de forma presencial e teve a participação de 12 escolas. Este ano, o jogo vem sendo aplicado, como parte do componente curricular, em 39 escolas públicas do Distrito Federal.
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