Projeto Redescobrir: há 15 anos utilizando a educação e a cultura para ressocializar detentos

De acordo com a promotora de justiça Gabriela Gonzalez, a educação e a cultura são os melhores instrumentos para ressocializar os detentos. “A desconstrução desse sistema que subalterniza a mulher dentro de um machismo estrutural passa por educação. Claro que é muito importante também trabalhar com outras frentes, como o empoderamento de mulheres e meninas, políticas públicas, mas educação é fundamental porque os homens também precisam fazer parte dessa luta contra esse machismo que mata mulheres e é prejudicial aos homens”, afirmou.
No mesmo sentido, o gerente de atendimento aos internos, José de Deus Sales, percebe a construção de laços entre os presos e os agentes, fortalecendo o processo de ressocialização. Ele aponta a importância do projeto para a construção de um processo de respeito mútuo entre os agentes penitenciários e os presos e a possibilidade de produzir um dia a dia menos estressante para todos. “Esse projeto tem um perfil mais assistencialista e coloca os presos para fazer mais atividade, fazendo com que eles não fiquem na cela só pensando bobagem.

Para Renato Barreiro, vice-diretor do PDF2, o projeto Redescobrir opera no preso não apenas a ressocialização, mas possibilita-lhe, mesmo, projetar um futuro desejável quando sair do cárcere. E isso faz toda a diferença para todos os que trabalham neste universo e para a sociedade. “As atividades do projeto trazem entretenimento ao preso. É a primeira vez que vejo este tipo de preocupação no Distrito Federal, e faz toda diferença, pois eles deixam de ficar restritos à televisão. Com outras atividades, eles podem pensar num futuro. Nós acreditamos que bandido bom é aquele que cumpre a pena, passa por uma reciclagem para ser socializado e volta melhor para a sociedade”, destacou.
O cuidado com a saúde mental dos presos e dos agentes é a grande tarefa do projeto, de acordo com Luís Paulo Nóbrega Justino, gerente de segurança da PDF 2. Segundo ele, apesar de ter sido implementado recentemente, já tem frutos a serem colhidos. “A gente tem que cuidar de quem cuida, preservar a saúde mental dos policiais, que têm de estar preparados para qualquer tipo de situação. Temos uma atividade muito estressante aqui no presídio. Então este tipo de iniciativa é fundamental. Tivemos uma primeira edição com muitos frutos já colhidos”, elogiou o gerente.

O projeto foi reconhecido pelo MPDFT ano passado, sendo agraciado em terceiro lugar no primeiro concurso de projetos inovadores do MPDFT, recebendo subsídios de R$ 10 mil para apresentações culturais como as que ocorreram no último dia 18 de março.
Por Leise Taveira - Jornalista convidada pelo Projeto Redescobrir para acompanhar as apresentações
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