Prodecon amplia investigação sobre funcionamento irregular da Casa da Nanny
Relatórios apontam ambiente insalubre, infecções recorrentes, ocultação de problemas e reabertura irregular da creche mesmo após interdição
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ampliou o alcance das apurações conduzidas no Inquérito Civil que investiga irregularidades na creche Casa da Nanny, no Sudoeste. A expansão das diligências ocorre após o órgão constatar que, além de operar em condições consideradas perigosas para crianças, os responsáveis mantiveram o funcionamento de maneira irregular em outra unidade na Asa Sul, mesmo após sucessivas autuações e interdições.
A creche no Sudoeste operava sem autorização da Secretaria de Educação, acumulando registros de falta de higiene, risco sanitário e estrutura inadequada. Segundo o MP, a empresa descumpria normas básicas de segurança e seguia atendendo famílias como se estivesse regularizada.
As apurações conduzidas pela 4ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) indicam que dezenas de crianças de 6 meses a 4 anos foram expostas a um ambiente descrito como degradante, insalubre e incompatível com qualquer atividade educacional. Relatórios técnicos e testemunhos apontam: infiltrações, mofo, móveis deteriorados e ausência de ventilação adequada; presença constante de baratas, inclusive dentro de utensílios, alimentos e no filtro de água; esgoto exposto próximo à cozinha; limpeza insuficiente, materiais mofados e alimentos estragados; ocorrência reiterada de diarreias, vômitos, febres e infecções bacterianas em crianças e funcionárias; falta de profissionais e acúmulo de funções pelas monitoras, muitas vezes em situações de risco.
Funcionários relataram ainda que havia determinação interna para impedir a entrada dos pais, bem como práticas destinadas a mascarar os problemas, como o uso de apelidos para baratas, na tentativa de evitar que as crianças comentassem sobre o que viam dentro da creche. Além disso, laudos da Vigilância Sanitária e da Polícia Civil confirmaram restos e fezes de insetos no filtro de água, forte odor de esgoto e inadequação do subsolo onde a creche funcionava — local proibido pelas normas do DF para unidades de educação infantil.
Foram identificados como responsáveis pela operação da creche: o sócio-proprietário e gestor, Gabriel Alves Asevedo Oliveira; a sócia de fato e administradora, Daniella Asevedo Oliveira Alves; a diretora operacional e pedagógica, Camila Gomes Macedo Santos; e o sócio de fato e encarregado pela manutenção, Helio Edson Alves e Silva. Segundo a apuração feita pelo MPDFT, todos tinham ciência das irregularidades e mesmo assim optaram por manter as atividades, com motivação econômica, omitindo dos pais a real situação das instalações.
Mesmo após a repercussão dos problemas na unidade do Sudoeste, o MP constatou que o grupo seguiu atuando irregularmente em outro endereço, na SEPS 707/907, sob o nome Escola Colibri Kids. A unidade também não tinha autorização de funcionamento. Com a atuação do MPDFT e dos órgãos distritais, o local foi novamente interditado.
O Conselho Tutelar do Sudoeste registrou advertência formal apontando risco às crianças e alta incidência de infecções intestinais. A Vigilância Sanitária autuou a unidade várias vezes desde abril de 2024, culminando na interdição em 23 de maio. O espaço já havia sido interditado também em 2023.
Próximos passos
Paralelamente ao Inquérito Civil, o MPDFT ofereceu denúncia criminal contra os responsáveis pelos seguintes crimes: maus-tratos contra crianças; contra as relações de consumo; submeter criança a constrangimento; e associação criminosa.
A Promotoria também apontou agravantes como violação de dever, vantagem econômica e prática contra vítimas especialmente vulneráveis. O MPDFT requereu medidas cautelares diversas da prisão, compatíveis com a fase da investigação e com a natureza dos fatos.
O MPDFT segue com diligências complementares para aprofundar a análise da atuação dos responsáveis, inclusive quanto à alteração de nomes empresariais e reorganização societária durante o curso das investigações. O caso continua em tramitação, e novos pais e ex-funcionários têm procurado tanto o Ministério Público quanto a Polícia Civil para relatar situações vivenciadas nas unidades investigadas.
O processo criminal está sob sigilo.
Inquérito Civil nº 08192.097433-2024-57 (4ª Prodecon)
{JOR}
Mais notícias...
- 13/11/2025 - MPDFT ajuíza ação para reorganizar atendimento socioeducativo feminino no DF
- 13/11/2025 - Linkin Park: MPDFT acompanha show e atesta cumprimento de normas de segurança
- 13/11/2025 - Estrutural: MPDFT participa do “GDF mais perto do cidadão” nos dias 14 e 15 de novembro
- 13/11/2025 - Ordem do Mérito: 49 agraciados recebem homenagem em 14 de novembro
- 13/11/2025 - MPDFT participa da abertura do XXVI Congresso Nacional do Ministério Público em Brasília
- 12/11/2025 - Codhab promove treinamentos para garantir transparência em parcerias habitacionais
- 12/11/2025 - MPDFT adere a pacto pelo enfrentamento à violência de gênero no ambiente universitário
- 11/11/2025 - Gama: MPDFT obtém condenação de homem por homicídio cometido em 1999
- 11/11/2025 - MPDFT leva a CBMDF estudo sobre saúde mental de profissionais da segurança
- 11/11/2025 - Núcleo de Gênero do MPDFT apoia realização de seminário sobre violência contra a mulher
- 11/11/2025 - Prodema e MPT-DF discutem ações de prevenção e combate a incêndios florestais
- 11/11/2025 - MPDFT denuncia homem por tentativa de feminicídio e outros crimes no Riacho Fundo
- 10/11/2025 - NaMoral: MPDFT recebe prêmio por defesa da integridade
- 10/11/2025 - Homem foragido há mais tempo no Distrito Federal será julgado nesta terça-feira
- 10/11/2025 - MPDFT recomenda transparência e impessoalidade na destinação de recursos parlamentares
- 07/11/2025 - Prourb se reúne com movimentos sociais do Distrito Federal
- 07/11/2025 - MPDFT participa de sessão solene na CLDF em homenagem às famílias acolhedoras
- 07/11/2025 - MPDFT acompanha condições estruturais da Rodoviária do Plano Piloto
- 07/11/2025 - Prourb participa de discussão sobre proteção da Área 3 da Flona de Brasília
- 06/11/2025 - Participe da Cidade: conheça as consequências do desperdício de energia limpa
- 06/11/2025 - MPDFT obtém liminar que suspende edital do projeto “Nosso Natal 2025”
- 05/11/2025 - MPDFT conclui oficinas do Projeto (Re)escrevendo Vidas: Vozes Femininas no Cárcere
- 05/11/2025 - Campo da Esperança firma TAC com o MPDFT para garantir direitos de consumidores
- 05/11/2025 - Carta de Serviços: promotorias atuam na proteção de crianças e adolescentes
- 05/11/2025 - Seminário debate desafios e soluções para o fortalecimento das políticas públicas no DF
- 05/11/2025 - PDDC inspeciona obras de revitalização do Autódromo de Brasília
- 04/11/2025 - Tráfico de drogas: Operação El Padrino bloqueia mais de R$ 1 milhão de investigados
- 04/11/2025 - MPDFT apresenta projeto Amparar em reunião com a OAB/DF
- 04/11/2025 - Cerimônia da Ordem do Mérito do MPDFT será realizada em 14 de novembro
- 04/11/2025 - Prodecon e ANP analisam qualidade de combustíveis em posto do Noroeste
Página 119 de 1690
