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Evento discutiu desafios do desligamento dos serviços de acolhimento e destacou a escuta de jovens pós acolhimento na construção de políticas de proteção

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) participou, nos dias 29 e 30 de setembro, do seminário "Minha Vida Fora do Acolhimento 3", realizado na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC), em Belo Horizonte. A instituição foi representada pelo promotor de justiça Renato Bianchini, da Promotoria de Justiça Cível e de Defesa dos Direitos Individuais, Difusos e Coletivos da Infância e da Juventude.

Promovido pelo Movimento Nacional Além do Acolhimento, em parceria com o Movimento Nacional Pró-Convivência Familiar e Comunitária, o evento debateu os desafios enfrentados por adolescentes e jovens no processo de desligamento dos serviços de acolhimento institucional e familiar e na construção de uma vida autônoma.

O seminário reuniu pesquisadores, profissionais do Sistema de Garantia de Direitos, representantes de organizações da sociedade civil e jovens com experiência de acolhimento. A programação privilegiou a escuta direta dos jovens pós acolhimento e incluiu o lançamento dos e-books “Minha Vida Fora do Acolhimento — Boas Práticas”, que reúne relatos e experiências produzidos por serviços de acolhimento e entidades parceiras, e “Minha Vida Fora do Acolhimento — Depoimentos”, que reúne relatos de adolescentes e jovens que passaram por serviços de proteção.

O promotor de justiça Renato Bianchini participou do evento ao lado dos jovens pesquisadores sociais Estênio Eduardo da Silva Santos e Mariana Souza Pinto, vinculados à pesquisa “Territórios da Construção de Si”, e de Lorena Padilha, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Para o promotor de justiça, o seminário evidenciou a importância de ouvir os próprios jovens e incorporar suas experiências à construção e ao aperfeiçoamento das políticas de proteção. Segundo ele, esse olhar permite identificar práticas que precisam ser revistas e caminhos que podem ser aprimorados a partir da realidade vivenciada por quem passou pelo acolhimento.

“Foram dois dias intensos, com a oportunidade de aprender com meninas e meninos que são os destinatários do esforço e da dedicação do nosso trabalho. São vidas atravessadas por violências e violações de direitos, muitas vezes praticadas justamente por quem deveria oferecer proteção e cuidado. Temos muito a aprender: práticas precisam ser revistas e certezas devem ser questionadas, revisitadas e reformuladas a partir do olhar e da experiência de quem precisa lutar para ter acesso ao que é básico para sua formação e seu desenvolvimento”, afirma Renato Bianchini.

Durante o evento, também foi apresentada a obra “Onde se escondeu o afeto?”, de Antônio José Santo dos Anjos, presidente do Movimento Nacional Além do Acolhimento, que aborda questões relacionadas ao afeto e às vivências de crianças, adolescentes e jovens inseridos nesses serviços.

Participação juvenil

A iniciativa integra o trabalho de incentivo à participação juvenil e às práticas de advocacy, que buscam ampliar a participação e a capacidade de incidência dos próprios jovens nos debates e decisões que envolvem seus direitos, com o objetivo de abrir espaços para que possam representar, com a própria voz, as experiências e demandas de quem vive ou viveu em serviços de acolhimento.

Para Eduardo, a viagem representou não apenas a oportunidade de participar do seminário como pesquisador social, mas também uma experiência pessoal inédita. Foi a primeira viagem de avião e a primeira vez em Belo Horizonte. Ele ressalta que a experiência reforçou a percepção de que os jovens podem ocupar espaços de discussão, pesquisa e formulação de políticas públicas. “Foi uma experiência incrível e que me fez perceber que eu realmente posso ocupar esses espaços. Estar aqui como pesquisador social me fez valorizar mais e lembrar que posso crescer e me transformar cada vez mais. Tudo o que aprendi no seminário vou levar para a minha vida”, afirmou.

Mariana também avaliou a participação no evento como um passo importante em sua trajetória como pesquisadora social. Segundo ela, quando começou a integrar o projeto, tinha insegurança para falar e se posicionar em espaços coletivos. A experiência no seminário mostrou que sua participação pode contribuir para representar outros adolescentes e jovens que passaram pelo acolhimento e para levar essas vivências aos espaços de debate sobre políticas públicas.

“Espero ter novas oportunidades como essa e que, nos próximos seminários, os jovens estejam cada vez mais presentes, porque a nossa participação é importante para a construção das políticas públicas”, afirmou Mariana.

Territórios de Si

Desenvolvido desde 2021 pelo MPDFT, em parceria com a Fiocruz Brasília, o projeto “Territórios da Construção de Si” é uma pesquisa-ação participativa voltada a adolescentes e jovens de 14 a 21 anos que vivem ou viveram em serviços de acolhimento institucional no Distrito Federal. A iniciativa busca contribuir para a preparação do desligamento dessas unidades e para a construção de uma vida autônoma, com ações voltadas ao fortalecimento das redes de apoio e ao acesso a direitos como moradia, educação, trabalho, renda, saúde e convivência social. Um dos pilares do projeto é a participação dos próprios jovens como pesquisadores sociais, incorporando suas experiências e perspectivas à discussão e à construção de políticas públicas.

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