MPDFT afirma que havia esquema para captar dinheiro, movimentar os recursos e manter investidores em erro
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal recebeu, na última sexta-feira, 11 de setembro, a denúncia da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) contra os sócios da empresa Naskar: Marcelo Liranço Arantes, Rogério Vieira, José Maurício Volpato e Douglas Silva de Oliveira Azara. Eles são investigados no âmbito da “Operação Quimera”. Entre 2024 e maio de 2026, os denunciados teriam constituído uma organização criminosa voltada à captação fraudulenta de recursos de investidores, à movimentação e retenção de valores, e à manutenção da aparência de legitimidade de uma operação financeira insustentável economicamente
Eles teriam enganado mais de 3 mil vítimas, causando prejuízo estimado em aproximadamente R$ 900 milhões. A investigação apura a estruturação e execução de uma operação apresentada aos investidores como carteira diversificada de ativos, com promessa de rentabilidade mensal, proteção do capital e elevada liquidez. Segundo a apuração, porém, teriam sido fornecidas informações falsas sobre a existência, composição, titularidade, destinação e segurança dos investimentos.
A captação era formalizada por contratos denominados “mútuo feneratício”, mas divulgada como investimento em CDBs e em operações no mercado de ações e opções, com rentabilidade líquida mensal entre 1,5% e 2,2% e aporte mínimo de R$30 mil. A maior rentabilidade era garantida com aportes maiores, o que estimulava as vítimas a cada vez mais entregar suas economias e a reinvestir os valores aplicados.
Para cumprir os objetivos do grupo foram utilizadas diversas empresas para os mesmos fins: Naskar Gestão de Ativos Ltda (Naskar Holding), Naskar Bank e Naskar Instituição de Pagamento, além de outras pessoas jurídicas, contas bancárias, contratos e plataformas digitais. De acordo com a investigação, desde 2025, as empresas integrantes do grupo já apresentavam déficit em relação aos recursos aportados pelos investidores. Ainda assim, os denunciados continuaram a gerir o esquema criminoso, ampliando exponencialmente o déficit.
A Naskar e as demais empresas do grupo atuavam há mais de uma década e tinham credibilidade em razão da confiança depositada pelos investidores iniciais. Além disso, mantinham estabelecimentos em locais físicos e de destaque e contavam com corretores vindos de empresas regulares, circunstâncias que conferiam ao empreendimento a aparência de um negócio sério e seguro. No entanto, em abril de 2026, o patrimônio líquido negativo era superior a R$205 milhões e disponibilidade imediata de pouco mais de R$9 milhões. O funcionamento da companhia passou a apresentar características de esquema Ponzi, no qual pagamentos a investidores antigos dependem da entrada de recursos de novos clientes.
Nova fase
Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a entrada de Douglas Azara trata-se de uma nova fase no esquema. Na ocasião, a Naskar anunciou que havia sido adquirida por R$ 1,2 bilhão. A operação foi apresentada aos investidores como uma solução capaz de permitir a retomada dos pagamentos. Para o Ministério Público, entretanto, a negociação teria funcionado como um “segundo ardil” para prolongar a expectativa de recuperação do dinheiro.
Douglas possuía renda declarada de aproximadamente R$ 1,7 mil mensais, enquanto dezenas de empresas recém-constituídas relacionadas a ele apresentavam, conjuntamente, cerca de R$ 2,4 bilhões em capital social declarado. A Azara Capital LLC teria sido apresentada como um fundo estrangeiro capaz de financiar a aquisição. no entanto, não foi encontrada comprovação considerada idônea de que a empresa possuísse os R$ 1,2 bilhão anunciados ou capacidade para assumir as dívidas da Naskar.
Marcelo, Rogério Vieira e José Maurício estão soltos. Já Douglas está foragido em Dubai. O fundo da Azera não possui autorização para operar no Brasil e não há qualquer elemento indicativo de possuir ativos no Brasil ou no exterior.
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