Realizado no auditório do MPDFT, evento mostrou os primeiros resultados da pesquisa. Medida atende a uma Recomendação da Prodema

Na abertura do evento, a promotora de justiça Luciana Bertini, da Prodema, destacou que os resultados apresentados contribuirão para orientar decisões baseadas em evidências sobre o manejo das capivaras e a convivência entre a fauna silvestre e a população. "Quando o Ministério Público fez a recomendação e mencionou a cerca-guia, a proposta sempre foi identificar os pontos críticos para evitar atropelamentos, preservando a flora e a fauna. Essa conectividade precisa ser preservada, porque é um conceito fundamental para a biodiversidade", afirmou.
Resultados parciais
A coordenadora do projeto, professora da UCB Morgana Bruno, apresentou os resultados preliminares e explicou que a iniciativa busca compreender a dinâmica da espécie para subsidiar estratégias que conciliem a preservação ambiental e a convivência entre a fauna silvestre e a população.
Segundo ela, o monitoramento registrou variações sazonais na população de capivaras. Na orla do Lago Paranoá, foram contabilizados 475 animais durante o período de seca, em agosto de 2025, e 317 no período chuvoso, em janeiro de 2026. Conforme a equipe de pesquisa, essa oscilação ocorre em razão do deslocamento natural dos grupos ao longo do ano.
Os pesquisadores também destacaram que, até o momento, não há indícios de uma superpopulação de capivaras na região do Lago Paranoá. Atualmente, o monitoramento abrange a orla do lago, o Parque Ecológico de Águas Claras e o Jardim Zoológico de Brasília, além de análises sobre a conectividade entre diferentes populações no Distrito Federal.
Febre maculosa e próximas etapas
Outro eixo da pesquisa investiga a circulação de bactérias causadoras da febre maculosa. As análises sorológicas realizadas até o momento não identificaram evidências da Rickettsia rickettsii, responsável pela forma mais grave da doença, nas amostras analisadas.
O estudo também contempla análises genéticas, identificação de corredores ecológicos, mapeamento de áreas com maior risco de atropelamentos e desenvolvimento de protocolos que poderão subsidiar futuras ações de manejo.
Os resultados apresentados servirão de base para as próximas etapas da pesquisa e para a definição de medidas de manejo, entre elas a identificação das áreas de maior concentração de capivaras e de suas rotas de deslocamento, a implantação de corredores de fauna, cercas-guia, sinalização e ações de educação ambiental voltadas à prevenção de acidentes e à proteção da fauna silvestre.
Também participaram do evento Marcos João da Cunha, superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Água do IBRAM; Rodrigo Santos, biólogo do IBRAM; e Giovanna de Carvalho, professora da UCB. Durante as apresentações, foram abordados diferentes aspectos do projeto, incluindo o monitoramento da fauna silvestre, os estudos sobre zoonoses, os desafios para o manejo ético das capivaras e a importância da atuação integrada entre os órgãos públicos e as instituições de pesquisa.
__________________________________
Secretaria de Comunicação
(61) 3343-9601 / 3343-9220 / 99303-6173
facebook.com/mpdftoficial
twitter.com/mpdft
youtube.com/mpdftoficial
instagram.com/mpdftoficial
