Foram definidas medidas para as categorias de base, o acompanhamento das torcidas organizadas e o reforço da segurança nas competições após episódios de agressão registrados no Campeonato Candango Sub-20

O encontro foi motivado pelos episódios de agressões e tumultos registrados após a partida disputada no dia 7 de junho, no Clube da Saúde, no Guará. Vídeos divulgados pela imprensa mostram atletas e integrantes das equipes envolvidos em uma briga generalizada após o apito final do jogo, que terminou com vitória do Capital SAF por 1 a 0. O caso passou a ser acompanhado pelo MPDFT, que instaurou procedimento para apurar as circunstâncias dos fatos e discutir medidas preventivas voltadas ao ambiente esportivo.
Participaram da reunião o procurador distrital dos direitos do cidadão e coordenador da Comissão de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios do DF, Eduardo Sabo; o promotor de justiça Ricardo Wittler Contardo; o representante da SSP-DF, tenente-coronel Keldson; o diretor técnico da Federação de Futebol do Distrito Federal, Márcio Coutinho; além do presidente da FFDF, Daniel Vasconcelos, e do promotor de justiça Marcel Nóbrega, que acompanharam os trabalhos por videoconferência.
Atuação integrada
Durante a reunião, os participantes avaliaram que os recentes episódios de violência evidenciam a necessidade de atuação integrada entre órgãos públicos, entidades esportivas, clubes e familiares dos atletas. Também foi destacado que, embora medidas disciplinares sejam importantes, a prevenção e a educação devem ocupar papel central no enfrentamento do problema.
Um dos principais pontos debatidos foi o aumento das ocorrências nas categorias de base. Segundo os participantes, muitos dos conflitos registrados nesses ambientes envolvem não apenas atletas, mas também familiares e responsáveis que acompanham as partidas.
Eduardo Sabo avalia que a formação esportiva deve caminhar lado a lado com a formação cidadã, incentivando valores como respeito, disciplina e espírito esportivo. “A violência no futebol, em qualquer que seja a categoria ou a modalidade, deve ser motivo de repulsa e de atenção muito grande. Nós vamos apurar e entendemos que deve ser também feito um trabalho educativo, não só com os clubes, mas também com os próprios atletas e com as suas famílias”, pontua.
Entre as medidas discutidas estão o fortalecimento das campanhas de conscientização, a realização de ações educativas junto aos clubes e familiares e a criação de mecanismos que permitam maior acompanhamento dos profissionais que atuam diretamente com crianças e adolescentes. A proposta inclui a criação de um cadastro de treinadores, preparadores físicos e demais integrantes das comissões técnicas das categorias de base, contribuindo para ampliar a proteção dos jovens atletas.
Os participantes também trataram da atualização cadastral das torcidas organizadas e da criação de canais permanentes de diálogo entre as entidades esportivas, os órgãos de segurança e os grupos de torcedores. A medida busca ampliar o conhecimento sobre a atuação dessas organizações e fortalecer iniciativas voltadas à promoção da paz nos estádios.
Como encaminhamento imediato, o MPDFT expediu ofícios à Federação de Futebol do Distrito Federal, ao Sobradinho Esporte Clube e ao Capital SAF requisitando informações detalhadas sobre os fatos ocorridos, as providências adotadas após os incidentes e os protocolos de segurança utilizados durante a realização da partida. As instituições terão prazo de três dias para apresentar os esclarecimentos solicitados.
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