Seu navegador nao suporta javascript, mas isso nao afetara sua navegacao nesta pagina MPDFT - Depois do crime: cinco marcas que não aparecem no processo

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No pós-crime, vítimas e famílias lidam com medo, luto e incertezas. O Projeto Amparar, do MPDFT, acompanha vítimas e familiares nesse percurso

Quando um crime acontece, o que aparece no processo são provas, depoimentos e decisões judiciais. Porém, para vítimas e familiares, o impacto vai muito além dos autos. Existe um “depois” que raramente ganha espaço nos documentos oficiais: o medo que altera a rotina, o luto que não segue prazos, o desgaste de repetir a própria história, as dúvidas sobre direitos, sobre o processo e os impactos na vida cotidiana, que permanecem mesmo quando o processo já está em andamento ou mesmo concluído.

Essas experiências fazem parte do cotidiano de quem atravessa o pós-crime e influenciam profundamente a vida das pessoas envolvidas. Para acompanhar essas demandas, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) conta com o Projeto Amparar, iniciativa do Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav) que oferece acolhimento, orientação sobre direitos e encaminhamentos para a rede de apoio, com o objetivo de reduzir a revitimização e ajudar vítimas e familiares oferecendo mais informação, proteção e suporte institucional.

De acordo com a promotora de justiça e coordenadora do Nuav, Jaqueline Gontijo, o objetivo do projeto é justamente olhar para as dimensões do impacto da violência que não aparecem nos autos. “O processo registra fatos e provas, mas a vida das vítimas continua acontecendo fora dos autos. Muitas pessoas precisam de orientação sobre seus direitos, informação sobre o processo e apoio para lidar com o medo, o luto e as mudanças que surgem depois da violência”, afirma.

Para a promotora de justiça Thaís Tarquinio Oliveira, “o projeto se insere em um contexto de reposicionamento da vítima e seus familiares no sistema de justiça, enquanto sujeitos de direitos. 

Desde agosto de 2025, a iniciativa registrou mais de 500 vítimas encaminhadas, seja por encaminhamento de promotorias de justiça, delegacias e órgãos da rede de proteção, seja por procura direta de vítimas e familiares. Esse atendimento pode ser realizado de forma presencial ou virtual, conforme a preferência da vítima. 

Desse total, até o momento 232 casos avançaram para a etapa de acolhimento inicial. Nesse momento, a equipe realiza a escuta qualificada em ambiente confidencial, permitindo que a vítima relate livremente suas necessidades e receba orientações sobre direitos e possibilidades de apoio. O atendimento segue protocolos que priorizam a escuta empática e respeitam o tempo da vítima, sem exigir que ela reviva ou detalhe o episódio de violência. 

Especialistas que atuam nesse tipo de atendimento apontam algumas marcas invisíveis pelas quais o acolhimento e a orientação se tornam tão importantes após a ocorrência de um crime. Confira cinco delas:

O medo que muda a rotina

Depois de um episódio de violência, é comum que vítimas passem a reorganizar a própria vida para tentar recuperar a sensação de segurança. Mudam trajetos, evitam determinados lugares, alteram horários ou deixam de realizar atividades que antes faziam parte da rotina. Esse medo cotidiano dificilmente aparece nos autos do processo, mas pode afetar diretamente a qualidade de vida e a autonomia da vítima.

O luto que não segue prazos

Nos casos de morte violenta, familiares enfrentam um luto marcado por perguntas sem resposta e pela espera por justiça. Enquanto o processo judicial segue seus prazos e etapas formais, o sofrimento da família não obedece a calendários jurídicos. O acompanhamento de investigações, audiências e decisões pode reabrir feridas emocionais e prolongar o processo de elaboração da perda.

O desgaste de repetir o ocorrido

Buscar ajuda, registrar informações ou acompanhar o caso muitas vezes exige que a vítima ou os familiares relatem novamente tudo que aconteceu. A repetição constante da narrativa do crime pode intensificar o sofrimento emocional e provocar o que especialistas chamam de revitimização — quando a pessoa revive o trauma ao tentar acessar apoio ou orientação.

As dúvidas sobre direitos

Como acompanhar o andamento do caso? Que serviços podem oferecer apoio psicológico ou social? A quem recorrer em situações de ameaça ou vulnerabilidade? A falta de informação clara sobre esses caminhos pode ampliar a sensação de desamparo vivida por vítimas e familiares.

O impacto na vida cotidiana

Os efeitos do crime também se estendem na rotina prática. Algumas vítimas precisam se afastar do trabalho, reorganizar a dinâmica familiar ou lidar com dificuldades financeiras decorrentes da violência sofrida. Problemas de sono, ansiedade e outras consequências para a saúde física e mental também podem surgir, prolongando os efeitos do crime muito além do momento em que ele ocorreu.

Como buscar atendimento

O Projeto Amparar atende vítimas de tentativa de feminicídio e familiares de vítimas de feminicídio, homicídio, latrocínio, crimes no

trânsito com resultado morte e lesão corporal seguida de morte. Para receber o apoio do projeto Amparar, você deve solicitar atendimento por meio do preenchimento de formulário online. 

WhatsApp: (61) 99635-6929

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Endereço: Promotoria de Justiça de Brasília II - MPDFT, SMAS (Setor de Múltiplas Atividades Sul), Trecho 4, Lotes 6/8, Brasília-DF (ao lado do Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes)

Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 12h às 19h

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