No pós-crime, vítimas e famílias lidam com medo, luto e incertezas. O Projeto Amparar, do MPDFT, acompanha vítimas e familiares nesse percurso

Essas experiências fazem parte do cotidiano de quem atravessa o pós-crime e influenciam profundamente a vida das pessoas envolvidas. Para acompanhar essas demandas, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) conta com o Projeto Amparar, iniciativa do Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav) que oferece acolhimento, orientação sobre direitos e encaminhamentos para a rede de apoio, com o objetivo de reduzir a revitimização e ajudar vítimas e familiares oferecendo mais informação, proteção e suporte institucional.
De acordo com a promotora de justiça e coordenadora do Nuav, Jaqueline Gontijo, o objetivo do projeto é justamente olhar para as dimensões do impacto da violência que não aparecem nos autos. “O processo registra fatos e provas, mas a vida das vítimas continua acontecendo fora dos autos. Muitas pessoas precisam de orientação sobre seus direitos, informação sobre o processo e apoio para lidar com o medo, o luto e as mudanças que surgem depois da violência”, afirma.

Desde agosto de 2025, a iniciativa registrou mais de 500 vítimas encaminhadas, seja por encaminhamento de promotorias de justiça, delegacias e órgãos da rede de proteção, seja por procura direta de vítimas e familiares. Esse atendimento pode ser realizado de forma presencial ou virtual, conforme a preferência da vítima.
Desse total, até o momento 232 casos avançaram para a etapa de acolhimento inicial. Nesse momento, a equipe realiza a escuta qualificada em ambiente confidencial, permitindo que a vítima relate livremente suas necessidades e receba orientações sobre direitos e possibilidades de apoio. O atendimento segue protocolos que priorizam a escuta empática e respeitam o tempo da vítima, sem exigir que ela reviva ou detalhe o episódio de violência.
Especialistas que atuam nesse tipo de atendimento apontam algumas marcas invisíveis pelas quais o acolhimento e a orientação se tornam tão importantes após a ocorrência de um crime. Confira cinco delas:
O medo que muda a rotina

O luto que não segue prazos
Nos casos de morte violenta, familiares enfrentam um luto marcado por perguntas sem resposta e pela espera por justiça. Enquanto o processo judicial segue seus prazos e etapas formais, o sofrimento da família não obedece a calendários jurídicos. O acompanhamento de investigações, audiências e decisões pode reabrir feridas emocionais e prolongar o processo de elaboração da perda.
O desgaste de repetir o ocorrido
Buscar ajuda, registrar informações ou acompanhar o caso muitas vezes exige que a vítima ou os familiares relatem novamente tudo que aconteceu. A repetição constante da narrativa do crime pode intensificar o sofrimento emocional e provocar o que especialistas chamam de revitimização — quando a pessoa revive o trauma ao tentar acessar apoio ou orientação.

Como acompanhar o andamento do caso? Que serviços podem oferecer apoio psicológico ou social? A quem recorrer em situações de ameaça ou vulnerabilidade? A falta de informação clara sobre esses caminhos pode ampliar a sensação de desamparo vivida por vítimas e familiares.
O impacto na vida cotidiana
Os efeitos do crime também se estendem na rotina prática. Algumas vítimas precisam se afastar do trabalho, reorganizar a dinâmica familiar ou lidar com dificuldades financeiras decorrentes da violência sofrida. Problemas de sono, ansiedade e outras consequências para a saúde física e mental também podem surgir, prolongando os efeitos do crime muito além do momento em que ele ocorreu.
Como buscar atendimento
O Projeto Amparar atende vítimas de tentativa de feminicídio e familiares de vítimas de feminicídio, homicídio, latrocínio, crimes no

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