Como parte das ações para a data, o MPDFT divulga levantamento que alerta sobre a necessidade de proteção integral dos menores de 18 anos

Ao longo do ano, o MPDFT ofereceu 1.820 denúncias por crimes contra a dignidade sexual e maus-tratos. Desse total, 967 casos (53,1%) envolviam vítimas menores de 18 anos. O levantamento é do Núcleo de Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes (Nevesca).
Os crimes mais recorrentes contra vítimas menores de 18 anos foram estupro de vulnerável, maus-tratos, importunação sexual e estupro. Apenas os registros de estupro de vulnerável somaram 584 denúncias em 2025. Também foram contabilizadas 216 denúncias de maus-tratos e 83 de importunação sexual.
As maiores concentrações de denúncias foram registradas em Ceilândia, com 293 casos; Brasília, com 237; Planaltina, com 134; Samambaia, com 132; Taguatinga, com 122; e Sobradinho, com 117 denúncias.
Segundo a promotora de justiça Liz-Elainne Mendes, coordenadora do Nevesca, os dados são representativos de violências sistêmicas e podem estar ligados a uma disseminação maior de canais de denúncia. “O trabalho do MPDFT tem sido fortalecer e impulsionar as redes de proteção como importante estratégia para promover o acolhimento das vítimas e a prevenção de novas violências".
Violência sexual lidera os registros

Meninas são as maiores vítimas
Outro dado que chama atenção é a predominância de vítimas do sexo feminino. Segundo a Subsecretaria de Vigilância à Saúde do DF, no terceiro quadrimestre de 2025, mais da metade das notificações de violência sexual (54,40%) atingiu meninas e adolescentes. Os dados obtidos no Informativo Epidemiológico - Violência Interpessoal e Autoprovocada, produzido pela Subsecretaria de Vigilância à Saúde indicam que o cenário persiste em 2026. Dados do primeiro trimestre deste ano apontam aproximadamente 40% dos registros com vítimas sendo meninas menores de 19 anos.
Nos períodos analisados, as adolescentes lideram o número de notificações, superando significativamente todos os demais grupos. No levantamento do terceiro quadrimestre 2025, foram registradas 201 notificações entre meninas de 10 a 19 anos, frente a 13 do sexo masculino. Nos períodos anteriores, os registros também foram elevados, com 167 e 164 notificações entre meninas, contra 16 e 24 do sexo oposto, respectivamente.
Para a promotora de justiça Luisa de Marillac, do Nevesca, os números reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção e acolhimento. “A violência sexual atinge de forma desproporcional meninas. É fundamental ampliar o debate para desconstruir o machismo e estabelecer ações preventivas e de acolhimento às vítimas que adotem a perspectiva de gênero, incluindo canais seguros de denúncia”, afirma.
Cenário que se repete no país

Tanto no cenário local quanto no nacional, um fator se repete: a violência ocorre, em muitos casos, no ambiente doméstico e familiar. Essa característica dificulta a denúncia e a responsabilização dos autores, pois envolve relações de confiança, dependência e, muitas vezes, o silêncio imposto às vítimas.
Mobilização permanente
O 18 de maio é um chamado para mobilização contínua diante de um problema persistente. O avanço de diferentes formas de violência, física, psicológica e sexual, revela que o enfrentamento exige atuação integrada entre instituições públicas, sociedade e famílias.
Além da responsabilização criminal, o MPDFT desenvolve ações permanentes de prevenção, conscientização e capacitação voltadas a educadores, conselheiros tutelares, profissionais da rede de proteção e famílias. A instituição também atua no fortalecimento do atendimento humanizado às vítimas e no estímulo à denúncia, considerada fundamental para romper ciclos de violência.

Denunciar é essencial para interromper ciclos de violência. Casos podem ser comunicados de forma anônima ao Ministério Público pelo site institucional, pelo Portal da Criança e do Adolescente ou pelo e-mail
Clique aqui para acessar a íntegra do relatório do Nevesca.
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