Operação Testa de Ferro: Ncyber/MPDFT obtém prisão de investigado por fraude bancária
O Núcleo Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Ncyber) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou na manhã desta quarta-feira, 13 de abril, mais uma fase da “Operação Testa de Ferro”, que investiga uma quadrilha responsável por fraudes em contas bancárias. Além de busca e apreensão de possíveis provas, foi cumprindo um mandado de prisão em Teresina no Piauí.
O pedido de prisão do Ncyber contra o alvo desta quarta-feira no Piauí foi autorizado pela Vara Criminal de Águas Claras. O mandado foi cumprido por agentes da Polícia Civil do Piauí (PCPI) com apoio da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) da Polícia Civil do DF.
Segundo as investigações realizadas pelo Ncyber em parceria com Corf e com a Delegacia Especial de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), ambas da PCDF, o acusado preso nesta terça-feira tem ligação com o vereador de Davinópolis no Maranhão preso em 7 de abril e com o casal detido em Goiânia em março.
O grupo criminoso atua há mais de uma década, principalmente no Centro Oeste e no Pará. Uma das vítimas, uma empresa de calçados, chegou a perder mais de R$1 milhão e 400 mil. Estima-se que as fraudes praticadas pela quadrilha podem ter alçado mais de 300 milhões de reais, e muitas vítimas ainda devem ser identificadas.
As investigações começaram em 2019, quando a PCDF efetuou a prisão de indivíduos que realizavam saques, transferências e conversão de moeda nacional em dólar em uma agência bancária. Descobriu-se que essas pessoas eram a base da pirâmide da organização, que emprestavam suas contas para serem beneficiadas com o dinheiro do furto. Em um segundo patamar, havia os recrutadores de conta bancária e, acima deles, os gerentes de operações.
O dinheiro dos furtos era transferido para contas dos beneficiários. Assim que os valores ingressavam nessas contas, os gerentes de operações transportavam os beneficiários até caixas eletrônicos e lá determinavam quais operações bancárias seriam realizadas. Por vezes, essas pessoas possuíam máquinas de cartões de crédito fantasmas para realizar compras simuladas nos cartões desses beneficiários.
Seguindo o rastro do dinheiro, o MPDFT e a PCDF chegaram aos suspeitos de liderar a organização. Em 2015, eles já haviam sido alvos da PCDF na operação Safira, que apurou fraudes contra correntistas de um banco, com prejuízo de mais de R$ 40 milhões. Eles permaneciam em liberdade e continuavam aplicando golpes. A dupla tem antecedentes criminais por duplo homicídio, estelionato, organização criminosa, furto mediante fraude, lavagem de dinheiro e posse de drogas.
Atuação
O líder ou um hacker disparava mensagens de texto de celular contendo links que, quando clicados, instalavam um malware no aparelho da vítima. Confirmada a infecção, integrantes da organização criminosa realizavam contato telefônico se passando por funcionários da instituição bancária a fim de que a vítima fornecesse autorizações e credenciais de segurança adicionais para a realização das transferências. O dinheiro era destinado de forma pulverizada para diversas outras contas de pessoas que as cediam para a organização.
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