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A Vara Criminal de Águas Claras atendeu pedido do Núcleo Especial de Combate a Crimes Cibernéticos (Ncyber) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e decretou a prisão do casal suspeito de ser um dos maiores fraudadores de contas bancárias do Brasil. A dupla foi presa em Goiânia nesta quinta-feira, 31 de março. As investigações foram realizadas em parceria com a Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) e a Delegacia de Repressão aos Crimes Ciberbéticos (DRCC) da Polícia Civil do DF.

O casal é investigado sob a suspeita de liderar uma organização criminosa atuante há mais de uma década, principalmente no Centro Oeste e no Pará. Uma das vítimas, uma empresa de calçados, chegou a perder mais de R$1 milhão e 400 mil. Estima-se que as fraudes praticadas pelo grupo podem ter alçado mais de 300 milhões de reais, e muitas vítimas ainda devem ser identificadas.

As investigações começaram em 2019, quando a PCDF efetuou a prisão de indivíduos que realizavam saques, transferências e conversão de moeda nacional em dólar em uma agência bancária. Descobriu-se que essas pessoas eram a base da pirâmide da organização, que emprestavam suas contas para serem beneficiadas com o dinheiro do furto. Em um segundo patamar, havia os recrutadores de conta bancária e, acima deles, os gerentes de operações.

O dinheiro dos furtos era transferido para contas dos beneficiários. Assim que os valores ingressavam nessas contas, os gerentes de operações transportavam os beneficiários até caixas eletrônicos e lá determinavam quais operações bancárias seriam realizadas. Por vezes, esses gerentes possuíam máquinas de cartões de crédito fantasmas para realizar compras simuladas nos cartões desses beneficiários.

Seguindo o rastro do dinheiro, o MPDFT e a PCDF chegaram aos suspeitos de liderar a organização. Em 2015, eles já haviam sido alvos da PCDF na operação Safira, que apurou fraudes contra correntistas de um banco, com prejuízo de mais de R$ 40 milhões. Eles permaneciam em liberdade e continuavam aplicando golpes. A dupla tem antecedentes criminais por duplo homicídio, estelionato, organização criminosa, furto mediante fraude, lavagem de dinheiro e posse de drogas.

Atuação

O líder ou um hacker disparava mensagens de texto de celular contendo links que, quando clicados, instalavam um malware no aparelho da vítima. Confirmada a infecção, integrantes da organização criminosa realizavam contato telefônico se passando por funcionários da instituição bancária a fim de que a vítima fornecesse autorizações e credenciais de segurança adicionais para a realização das transferências. O dinheiro era destinado de forma pulverizada para diversas outras contas de pessoas que as cediam para a organização.

Parte dos autores já foi condenada por organização criminosa, furto qualificado pela fraude, concurso de agentes e lavagem de dinheiro. Outros processos já estão em estado avançado. As investigações continuam para que sejam identificadas novas fraudes e vítimas.

O NCyber ressalta que há consequências em emprestar conta bancária para estranhos e é preciso avisar à Polícia quando isso for solicitado. Também reforça que não se deve clicar em links enviados por celular sem confirmar sua procedência.

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