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Ivaldo Lemos Junior
Procurador de justiça do MPDFT
O ator Scott Glenn, que interpretou Jack Crawford, o policial-chefe do filme “Silêncio dos inocentes”, fez imersão no FBI com um agente chamado John Douglas, a fim de melhor preparar sua atuação. Encerradas as gravações, Glenn foi agradecer Douglas pela ajuda, por ter-lhe permitido “entrar em seu mundo”. Douglas riu e perguntou se Glenn queria mesmo entrar em seu mundo. Então mostrou um áudio com dois criminosos torturando, violentando e matando uma adolescente. O ator não suportou ouvir por mais de um minuto.
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Ivaldo Lemos Junior
Procurador de justiça do MPDFT
De vez em quando você escuta a locução “crime inafiançável”. As pessoas enchem a boca para proferi-la, como se designassem algo formidando, feérico. Crime “inafiançável” evoca perfumes mais infernais do que os dos círculos do “hediondo”, do “gravíssimo” ou outros adjetivos que desafiam nossa capacidade de assimilação. É por causa da ortoépia. “Inafiançável” é um vocábulo vistoso, de 1.96 de altura, musculoso, queixo quadrado, cara de mau. Pronuncia-se cada letra com uma exemplar coincidência entre o gabarito escrito e a oralidade vacinada contra sotaques e falhas apressadas, como erros de concordância mínimos porém humilhantes.
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