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Foi deflagrada na manhã desta terça-feira, 11 de agosto, a Operação Anastasys, contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, autorizados pelo Juízo da 8ª Vara Criminal de Brasília. A operação é realizada pela Divisão de Repressão a Facções Criminosas da Cecor (Difac/Cecor) da Polícia Civil do DF (PCDF), com o apoio do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Os mandados são cumpridos em Brasília, no entorno e outros estados. O objetivo é desmantelar um braço do Primeiro Comando da Capital (PCC).

As apurações foram conduzidas, no âmbito do MPDFT, pelos promotores do Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (Nupri/MPDFT). De acordo com a investigação, iniciada há mais de seis meses, a facção ainda tenta se entranhar no Distrito Federal agora por meio da criação de duas células distintas de atuação denominadas “Feminina” e “Masculina”, lideradas, respectivamente, de forma independente por uma mulher e um homem, cujas funções são nominadas pelo grupo como “Geral do Estado”.

A liderança da célula feminina era exercida por uma faccionada ocupante do cargo de “Geral da Feminina”, responsável pela condução das atividades criminosas do núcleo feminino do PCC na capital federal. Ela atuava no recrutamento e na seleção de mulheres para integrar a organização, com o objetivo de formar de um grupo feminino com força de planejamento e execução de crimes em benefício da organização. Uma integrante desta célula, conhecida como “Tókio”, já havia sido presa na última quinta-feira por policiais da Cecor na BR 060 quando tentava fugir para São Paulo em um ônibus.

Na outra parte, o líder da “Geral da Masculina” é responsável pelo planejamento das atividades do grupo e o controle dos integrantes do PCC, a maioria já identificados pela Polícia Civil. Segundo a PCDF, observou-se, durante a investigação, o início de uma mudança de estratégia de atuação para romper as barreiras que até então impediam o enraizamento da facção no Distrito Federal.

Já a célula masculina tentou implementar algumas medidas, como a divisão do Distrito Federal em territórios de atuação e domínio (Leste, Oeste, Sul, Norte), abrangendo todas as regiões administrativas, comandadas cada uma por um integrante, denominado “Disciplina”. O papel de cada líder regional seria recrutar criminosos locais e convencê-los a se filiar à facção, sendo que para isso deveriam passar a obedecer ao rígido código de conduta do grupo criminoso.
Vislumbrou-se ainda nas investigações uma outra nova prática relacionada ao estabelecimento do jogo do bicho em algumas regiões do DF visando obter recursos financeiros para o grupo. O ocupante do cargo de “Geral do Jogo do Bicho”, que comandava esta tarefa, foi preso em Cidade Ocidental/GO.

O resultado das investigações permitiu o indiciamento de 38 (trinta e oito) membros do PCC, distribuídos em várias funções no Distrito Federal e alguns radicados em outras unidades da Federação como Piauí e Goiás, locais onde também foram sendo cumpridas ordens judiciais.
Até o momento foram presos 06 (seis) integrantes da facção, ao passo que 02 (dois) estão foragidos.

As prisões e buscas ocorreram em Samambaia/DF, Riacho Fundo II/DF, Águas Lindas/GO, Cidade Ocidental/GO, Anápolis/GO e Canto dos Buritis/PI, contando para isso com o apoio das Polícias Civis dos estados de Goiás e Piauí. Em meio às buscas nas residências dos faccionadas foi apreendida grande quantidade de carteiras de identidade falsas e outros documentos utilizados para a aplicação de estelionatos, porções de drogas, um telefone celular produto de roubo e documentos diversos.
Os investigados foram indiciados pelo crime de Organização Criminosa e, se condenados, podem pegar penas de 3 a 8 anos de prisão.

Segundo o MPDFT, embora não tenha sido alcançado o irreversível enraizamento observado em outras unidades da Federação - o que se deve primordialmente ao contínuo e integrado esforço dos órgãos estatais de repressão criminal – constatou-se no curso das últimas apurações uma crescente sofisticação das estratégias utilizadas pelas lideranças faccionárias, o que foi impulsionado também pela presença da cúpula do PCC no Presídio Federal de Brasília.

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