MPDFT

Inácio Neves  Filho
Promotor de Justiça do MPDFT

A voraz indignação dos defensores dos réus do mensalão é inerente à fidelidade própria da relação advogado-cliente. Compreensível, também, é o alarido lulopetista, afinal, a prisão do núcleo político do mensalão, além de atestar de óbito a bandeira ética outrora defendida pelo PT, compromete seu ambicioso projeto de perpetuação no poder.

Dos insurretos, juristas e intelectuais integram classe retrógrada dos que não veem o alcance social da Teoria do Domínio do Fato, de Hans Welzel - abraçada pelo ministro Barbosa -, optando por um ilógico e nefasto conservantismo pragmático. Padecem, ainda, de súbita e mórbida frustração, ávidos que estavam com a vigorosa emulação do chavismo-bolivarianismo, iniciado no governo Lula.

Com lupa de alta precisão, recém-aferida, marcharam os insurgentes à caça de ilegalidades e imperfeições no sistema penitenciário, fazendo ressurgir as mazelas do cárcere. Causa espécie a preocupação dessa gente limitar-se à situação prisional de Dirceu, Genoíno e Delúbio, fazendo ouvidos moucos à causa de condenados do regime fechado, como Marcos Valério, cuja pena ultrapassa a 40 anos. Não se tem conhecimento, também, de ação promovida por tão rebeldes ativistas tendente à melhoria do sistema penitenciário como um todo.

Diariamente, Brasil afora, milhares de presos são amontoados em cubículos desumanos e degradantes, sem que ecoem vozes parecidas com o coro pró-mensaleiros. Mesmo com a existência de indícios suficientes de autoria, Roberto Gurgel não teve disposição para, ao menos, investigar Lula, o que gerou, ainda mais, dúvida sobre ser o ex-presidente o chefe da quadrilha. A inércia, além de ocasionar a prescrição do crime, impediu que a maior autoridade brasileira da época provasse sua inocência.

Jornal de Brasília - 23/12/2013

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