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Ivaldo Lemos Junior
Promotor de Justiça do MPDFT

 

Você sabe quem foi Tycho Brahe. Claro que sabe. Sabe melhor do que eu que ele foi um famoso astrônomo dinamarquês que viveu entre 1546 e 1601, quando foi assassinado por outro astrônomo que foi seu pupilo e hoje é mais conhecido do que ele próprio: Kepler (essa história contarei em outra oportunidade).

Você também sabe que a verdadeira ciência tem a preocupação primordial de se basear em fundamentos fáticos sólidos. Costuma-se dizer que a ciência caminha com duas pernas: uma feita de teoria e intuição, outra de observação empírica.

Mas nem sempre foi assim. Na época de Tycho, a ciência caminhava com duas outras pernas: a da autoridade indiscutível (Aristóteles, Ptolomeu ou Copérnico, Galeno) e a da totalidade do conhecimento, que mesclava o sobrenatural e o fenômeno natural: astronomia e astrologia, química e alquimia, era tudo mais ou menos a mesma coisa. A medicina buscava fabricar ouro em laboratório para fins terapêuticos. O próprio Tycho fazia elixires miraculosos que eram procurados por toda a gente, e que fornecia de graça.

Tycho foi um dos primeiros a se preocupar de maneira mais rigorosa com a precisão do conhecimento direto e, assim, com a chamada "ciência moderna", ou o que se conhece hoje propriamente por ciência.

Como sua paixão eram os céus e seus produtos - uma ocupação, por sinal, considerada pouco nobre para gente da sua estirpe, da qual se esperava a dedicação à política ou, no mínimo, ao direito - nada mais óbvio do que se colocar a observá-los.

Mas os planetas e os cometas estão longe demais. Sua reprodução em escala manipulável é artificial. É estritamente necessário se valer de instrumentos que alarguem o campo de visão o máximo possível, e para que aquilo que os olhos dizem faça sentido, é estritamente necessária uma base conceitual prévia.

Se a primeira etapa fracassar, você não passa da estaca zero. Se a segunda falhar, você pode olhar e não ver, ou ver alguma coisa e não entender nada.

Jornal de Brasília

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