MPDFT

Inácio Pereira Neves Filho
Promotor de Justiça do MPDFT

No DF, diferente dos estados, existe grande anomalia no processo eleitoral, desde a falta de compromisso dos políticos ao baixo nível de conscientização e participação do eleitorado, cujo engajamento - pífio - ocorre por outros motivos que não uma verdadeira identidade com o candidato.

Desde sua emancipação, o DF vem sendo administrado por pessoas que não tem vínculo suficiente capaz de gerar identidade entre o governador e a população. A elite se julga não afetada pelos atos do governo distrital, pouco se importando com a vida política e administrativa. A apatia tem a ver com a boa qualidade de vida que essa classe possui, já que sempre foi contemplada com razoável estrutura de equipamentos públicos. A classe de baixa renda - "massa de manobra", também pouco participa de modo consciente da política local. Tais aberrações tem origem na política clientelista da doação irregular de lotes, pão e leite e várias outras práticas nefastas impostas por grupos políticos que aninharam em Brasília desde 1988.

Nos estados, a deformação é bem menor. A política do clientelismo situa-se em plano secundário, sobressaindo grau maior de consciência, participação e confiança na relação eleitor-candidato.

A 30 dias da data limite para o registro das candidaturas, o eleitor do DF desconhece os reais candidatos a governador, suas chances de se elegerem, e se estes estão aptos a realizar uma boa administração.

Essa instabilidade na política local não decorre apenas dos efeitos da "operação caixa de pandora", e pode levar novamente ao governo do DF pessoa totalmente descompromissada com a população. O quadro tenebroso tem, sim, muito a ver com a ficha suja e a desqualificação da maioria dos políticos da nossa capital.

Essa deplorável cultura política geradora de deformação endêmica do governo da capital da República precisa ser banida. A Lei Ficha Limpa é uma grande oportunidade para se apurar a idoneidade de nossos candidatos. Que cada um deles mostre a sua ficha. Ao eleitor, antes de votar, cabe conferir - se verdadeiramente limpas ou não.

Jornal de Brasília

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