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Ivaldo Lemos Júnior
Procurador de Justiça do MPDFT

Oexercício regular da profissão se encarrega naturalmente de alimentar o indivíduo com informações, mas toda a fortuna de conhecimentos tem um alcance acanhado – ou retrocessivo – se produzido ao largo de uma reciclagem genuína. Ou seja, se não for objeto de elaboração teórica e afluência aos protocolos da vida cotidiana com uma dignidade renovada e enriquecida.

Vamos ilustrar o raciocínio com um jurista que atua na área civil e outro, na criminal. Ambos vão se deparar com um repertório de problemas. Para o “quod plerumque”, estão preparados. O que refoge a isso pode ser arrostado na base da intuição empírica e analógica, além de pesquisas pontuais mais ou menos eficientes. O que desafia a capacidade individual reclama sofisticação que, se já não estiver urdida, então é tarde demais e o que resta é a humildade de se vislumbrar o vexame e fazer algo para evitá-lo.

Quem trabalha no cível vai ver coisas que o criminalista não enxergará porque seu rosto está voltado para outras paisagens. O trem é o mesmo. A viagem é também a mesma. Os tormentos inevitáveis da jornada é que são motivos que acicatam ou desanimam o desenvolvimento científico. São convites para o seu enfrentamento à custa de um preço remível e amargo, como sacrifício de dinheiro e de tempo, prejuízo à saúde física. Mas é o que diferenciará o grisalho pintalgado dos velhos entre si.

Agora observem a aldrava lustrosa da universidade. O caminho até ela parece de ladrilhos de jacarandá marchetados de quartzo e pedrinhas de brilhante. Acontece que é dado se produzir trabalhos admiráveis na miracema ou ardósia da própria casa, a despeito da improbabilidade de repercussão pois o diploma quase que confere presunção “juris et de juri” de superioridade intelectual. Só mesmo aqueles gênios meio folclóricos para pôr em xeque a autoridade do ordenamento burocrático.

Jornal de Brasília - 12/4/2023

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