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Ivaldo Lemos Junior
Promotor de Justiça do MPDFT

É muito conhecida a história da família alemã Frank, radicada na Holanda, e de outras pessoas que se esconderam juntas em uma parte de uma casa (o “Anexo Secreto”) em Amsterdã, na tentativa de escapar do jugo nazista. Esse pessoal ali ficou mais de dois anos, em vão. A polícia descobriu e todos foram presos.

O diário de Anne Frank é um dos livros mais conhecidos do mundo e também um dos mais enfadonhos. Pode ser de mau gosto dizer isso, talvez se murmure acusação de insensibilidade ou até de antissemitismo, mas a obra em si não está infensa a críticas e o leitor tem o direito de considerá-la de baixo valor histórico, psicológico, literário. Tem algum peso sentimental e dramático mas, escrito que foi por uma adolescente, fez constar bobagens típicas da idade, difíceis de tragar.

Anne era estudiosa e inteligente mas não era um gênio precoce, um Rimbaud, um La Boétie. Os relatos de outros jovens judeus capturados, como Stanislaw “Shlomo” Szmajzner, Thomas “Toivi” Blatt e Philip “Fizel” Bialowitz, são bem mais relevantes. Esses tiveram melhor sorte e sobreviveram ao Holocausto.

Quem sou eu para desmerecer “O diário”, que fez e continua fazendo imenso sucesso. Foi traduzido para dezenas de idiomas. Gerou filmes, peças, documentários e extenso material na internet. A casa se transformou em um museu, procurado por mais de um milhão de visitantes do mundo todo.

Aliás, eu tenho uma passagem favorita, que é quando Anne fala do Brasil. No dia 27.4.1944, ela menciona Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo, rio Amazonas. Mas não deixa de lembrar da malária e da taxa de mais de 50% de analfabetismo.

O objetivo deste artigo é exortar que, nestes tempos de pandemia, o lockdown da família Frank foi muito mais longo, difícil, perigoso e imprevisível. E não teve final feliz. É bom pensar em Anne durante as intempéries da Covid-19.

Jornal de Brasília - 17/3/2021

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