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Davi Mendonça Normandes
Servidor do MPDFT

No processo eleitoral, as pesquisas de intenções de votos trazem à luz as incríveis contradições que podem ocorrer com as estatísticas. Tonificada pelo poder dos números, essa ciência é ferramenta indispensável para qualquer processo de tomada de decisão, tornando-o mais coeso e racional. Entretanto, a estatística não é determinista, ela é maleável e, a depender dos interesses em jogo, fortalece e revigora argumentos numa clara tendenciosidade de perspectiva. Variadas são as maneiras estatisticamente utilizadas para maquiar diversas situações. Um excelente exemplo de como essas manobras acontecem encontra-se na instrutiva e bem-humorada obra Como mentir com estatística, de Darrell Huff.

Algo bastante corriqueiro na área publicitária e comercial, os mágicos percentuais são praticamente obrigatórios para suavizar ou exagerar cenários. No âmbito do poder público brasileiro, principalmente sob a égide do princípio da reserva do possível, a justificação dos atos do gestor público requer a colaboração da pragmática estatística. Seja nas complexas decisões referentes ao orçamento público, seja nas corriqueiras revisões administrativas, lá estão os belos gráficos em pizza, as atraentes planilhas coloridas, os encantadores mapas legendados, as imponentes tendências.

Nesse mar de informações, os dados quantitativos são os mais poderosos, simplificam e anulam quaisquer discussões sobre um desfecho. Mas, quando necessário, os dados qualitativos são evocados, abrindo um mundo quântico de possibilidades, de associações conexas e desconexas. Esses elementos robustos e sintéticos, muitas vezes consolidados de maneira controversa, darão credibilidade a qualquer resolução, mesmo que equivocada. Por isso, é imprescindível, nos processos decisórios, analisar e refletir além dos dados frios.

Jornal de Brasília - 3/10/2018

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