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Sergio Gomide
Promotor de Justiça do MPDFT

A Operação Lava Jato vem descortinando uma enorme e complexa rede de relacionamentos destinada à distribuição de favores, dinheiro e poder. As relações promíscuas entre os detentores de poder político e econômico evoluíram, consolidaram-se e tornaram-se mais difíceis de entender e combater. 

Para se ter uma ideia do poder das estruturas a serviço do crime organizado, as investigações levaram à prisão um ex-presidente da República, ex-governadores, ex-parlamentares, ex-ministros e alguns dos maiores empresários do País. 

As estruturas administrativas até então existentes se mostraram incapazes de combater e desarticular essa cada vez mais poderosa criminalidade organizada, obrigando os Poderes Executivo e Judiciário a criarem delegacias e varas especializadas na investigação e no julgamento dos crimes do colarinho branco. 

Os Ministérios Públicos, por sua vez, instituíram os Gaecos (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e CIs (Centros de Produção, Análise, Difusão e Segurança da Informação), destinados a estudar, conhecer e traçar estratégias de atuação no desmantelamento dos pilares de sustentação do poder político e econômico dessas organizações. 

Esse novo modelo tem obtido resultados relevantes na recuperação de valores e na punição dos responsáveis, devendo ser preservado e defendido pela sociedade como um verdadeiro patrimônio desta. 

A troca abrupta de um grande número de atores ocupantes de postos relevantes nessas estruturas prejudica sobremaneira o combate às organizações criminosas. Já está na hora de discutirmos um novo modelo de nome ação/ exoneração desses atores, assegurando uma atuação continuada e protegendo a rede de combate desses solavancos, independente das instituições a que estejam vinculados. A tarefa não é fácil, mas necessária.

Jornal de Brasília - 6/2/2019

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